O Papa Leão XIV manifestou profunda tristeza e preocupação em relação aos recentes ataques mortais em diversas comunidades da Nigéria. Pelo menos 160 pessoas foram assassinadas na aldeia de Woro, no Estado de Kwara, durante um ataque ocorrido na noite de 3 de fevereiro. O Santo Padre ofereceu orações por todas as vítimas de violência e terrorismo no país. As autoridades são instadas pelo Pontífice a trabalhar com determinação para garantir a segurança e proteção de cada cidadão. Ataques separados no Estado de Kaduna nos últimos três dias resultaram em pelo menos 51 sequestros e seis mortes.
9 de fevereiro de 2026
Apelo do Papa Leão XIV durante o Angelus
O Papa Leão XIV expressou tristeza e preocupação pelos recentes ataques mortais na Nigéria durante seu discurso do Angelus em 8 de fevereiro, na Praça de São Pedro.
Ele ofereceu orações pelas vítimas de violência e terrorismo, instando as autoridades a garantir a segurança dos cidadãos.
Onda de ataques recentes deixa centenas de mortos e feridos
Extremistas islamitas atacaram a aldeia de Woro, no Estado de Kwara, por volta de 3 a 5 de fevereiro, matando entre 160 e 200 pessoas, a maioria muçulmanos moderados, e destruindo grande parte da cidade.
No Estado de Kaduna, assaltantes sequestraram 51 pessoas e mataram seis em quatro aldeias; outro ataque à comunidade católica de Karku sequestrou o Padre Nathaniel Asuwaye e outras três pessoas, assassinando três vítimas.
Ataques também atingiram o Estado de Niger, envolvendo assassinatos, sequestros, vandalismo de igrejas e incêndio criminoso de uma clínica católica, deslocando moradores.
Resposta governamental e de segurança mobiliza tropas
O governador de Kwara, AbdulRahman AbdulRazaq, vinculou o ataque em Kwara a uma reação ao combate ao terrorismo.
O presidente Bola Tinubu ordenou o envio de um batalhão do exército (300 a 1.000 soldados) para Kaiama, em Kwara.
Kaduna libertou 183 cristãos sequestrados em incidentes de janeiro, embora se suspeite de pagamentos de resgate.
Contexto da insurgência de uma década na região
A violência decorre de uma insurgência complexa de uma década por grupos como o Boko Haram, visando cristãos, muçulmanos moderados e resistentes.
A pressão militar e rivalidades entre grupos empurraram operações para o sul, aumentando temores de expansão mais ampla ao longo de rotas comerciais até o Benin.
Dados da ONU registram milhares de mortos no total.
Papa também reza por vítimas de desastres naturais e tráfico humano
Marcando a memória de Santa Josefina Bakhita, Leão XIV agradeceu esforços contra o tráfico humano, declarando que “a paz começa com a dignidade”.
Ele rezou pelas vítimas de inundações e deslizamentos de terra em Portugal, Marrocos, Espanha (Grazalema) e Sicília (Niscemi).
Análise: Qual o papel da Igreja na proteção de civis em meio ao terrorismo africano?
O papel multifacetado da Igreja na proteção de civis
A Igreja Católica desempenha um papel vital e multifacetado na proteção de civis em meio ao flagelo do terrorismo na África, particularmente em nações como Nigéria, Burkina Faso, Mali, Níger e outras assoladas por violência étnico-religiosa e grupos como o Boko Haram. Baseando-se em apelos papais, declarações episcopais e iniciativas práticas, a Igreja atua como voz profética denunciando injustiças, companheira espiritual oferecendo oração e solidariedade, provedora de ajuda humanitária direta e defensora de esforços mais amplos de construção de paz enraizados na doutrina social. Esta resposta avalia essas dimensões, destacando como a Igreja defende a dignidade humana, promove a justiça e fomenta a reconciliação sem usurpar responsabilidades estatais.
Denúncia profética da violência e injustiça
No cerne da missão da Igreja está a proclamação e denúncia da verdade, especialmente quando o pecado se manifesta como violência contra inocentes. A doutrina social da Igreja a obriga a julgar e defender direitos violados, particularmente dos pobres, fracos e perseguidos, abordando “questões sociais” como o terrorismo que leva à convulsão. Na Nigéria, onde ataques implacáveis visam comunidades cristãs rurais em estados como Benue, a Conferência de Bispos Católicos condenou “ataques implacáveis contra comunidades inocentes e indefesas”, ecoados pela solidariedade internacional. O Papa Francisco lamentou ataques armados no norte da Nigéria, rezando pelos mortos, feridos e pela segurança nacional, enquanto o Papa Leão XIV invocou especificamente “segurança, justiça e paz” para as vítimas de Benue.
Esta postura profética estende-se à rejeição do abuso da religião para a violência. No norte da Nigéria, bispos denunciam como a fé é distorcida em ferramenta de perseguição, insistindo que “Deus não deu a ninguém o direito de matar em seu nome” e condenando aqueles que “afirmam amar a Deus enquanto odeiam seus semelhantes”. Similarmente, na região do Sahel (Burkina Faso, Mali, Níger, Nigéria), a Igreja insta governos a proteger cristãos perseguidos e outros, levando perpetradores à justiça e exigindo apoio às vítimas como crimes contra a humanidade. Ao nomear esses males, a Igreja desperta consciências, recusando-se a estruturar a sociedade, mas guiando-a rumo à justiça e amor.
Solidariedade espiritual através da oração e unidade eclesial
A oração forma a resposta fundamental da Igreja, unindo fiéis locais e globais em súplica pela paz. Os bispos nigerianos declararam nove dias de oração, acompanhados pela Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB), que expressou “profunda tristeza e firme solidariedade eclesial” pelas vítimas de Benue, suplicando a Deus por “paz, justiça, reconciliação e solidariedade fraterna entre povos de todas as fés”. Isso espelha apelos mais amplos, já que o Papa Leão XIV invoca a construção da paz inspirada por São Francisco de Assis, rezando por “testemunhas desarmadas e desarmantes da paz que vem de Cristo”.
Tal solidariedade conforta os que choram — “Que as almas dos fiéis falecidos de Benue descansem em paz e que o Senhor console todos os que choram” — enquanto reforça a dignidade de cada pessoa como filho de Deus. Enraizada em princípios como aqueles em Formar Consciências para a Cidadania Fiel, isso promove uma “ética consistente da vida” defendendo os vulneráveis de ataques diretos.
Assistência humanitária direta às vítimas
Além das palavras, a Igreja entrega ajuda concreta, incorporando a subsidiariedade ao apoiar onde os estados falham. O Centro Maria na Nigéria exemplifica isso, fornecendo apoio psicossocial, treinamento vocacional (por exemplo, habilidades de costura), alimentos, ajuda financeira e advocacia para pessoas internamente deslocadas (IDPs) fugindo do Boko Haram e conflitos étnico-religiosos de estados como Bauchi, Borno, Kaduna e Plateau. Em 2022, treinou 21 em profissões, cuidou psicologicamente de 11 e apoiou 21 com itens essenciais, construindo autoestima e resiliência para prevenir migração desesperada. Beneficiários — cristãos e muçulmanos — formam comunidades de apoio, com pacotes de instalação permitindo autossuficiência. Administrado por uma irmã com voluntários e ajuda da igreja local, aborda causas raízes como falta de abrigo e sustento.
Este trabalho prático protege civis restaurando dignidade e promovendo desenvolvimento humano integral, alinhando-se com o dever da Igreja de cuidar das pessoas confiadas a ela.
Defesa da construção da paz e responsabilidade internacional
A Igreja defende situar esforços antiterrorismo dentro da construção de paz, instando estados e organismos internacionais a proteger civis. Enquanto estados anfitriões têm responsabilidade primária, missões de paz da ONU devem priorizar proteção de civis, direitos humanos, desarmamento e capacitação quando estados falham — essencial para legitimidade e paz sustentável. Em diálogos África-UE, bispos clamam por parcerias respeitando valores locais, garantindo liberdade religiosa e combatendo terrorismo sem imposição cultural, como o Papa Francisco alertou contra “novas formas de colonização”.
O Papa Leão XIV enfatiza o diálogo pela paz “fundada na verdade, justiça, amor e liberdade”, tarefa para todos inspirada pela dignidade humana e bem comum. Isso ecoa Gaudium et Spes, criticando como direitos divinos violados minam direitos humanos, instando a África a rejeitar religião corrupta alimentando conflitos.
Desafios e o caminho adiante
Desafios persistem: o terrorismo corrói legitimidade quando civis permanecem desprotegidos, e a religião pode exacerbar divisões. Contudo, o papel da Igreja — não violento, enraizado na doutrina — complementa ação estatal sem suplantá-la. Fontes recentes como declarações do Papa Leão XIV de 2025-2026 têm precedência, priorizando diálogo e construção de paz em meio a crises contínuas. Onde fontes focam na Nigéria/Sahel, elas iluminam padrões africanos mais amplos; não existem contradições diretas, embora ajuda prática como o Centro Maria ofereça modelos escaláveis em outros lugares.
Em conclusão, a Igreja protege civis através de denúncia, oração, ajuda e advocacia, construindo uma “cultura da vida” em meio ao terrorismo. Ao proclamar dignidade, apoiar vítimas e clamar por justiça, ela testemunha a paz de Cristo, instando todos rumo à reconciliação. Ação fiel hoje pode transformar violência em fraternidade.

Deixe seu comentário